terça-feira, 26 de abril de 2011

Alcoolismo e depressão podem surgir após a cirurgia bariátrica

A obesidade é considerada a epidemia do século XXI. São muitos os estudos e pesquisas sobre essa doença que atinge 33% da população mundial. Um dos tratamentos considerados revolucionários é a cirurgia bariátrica (ou redução de estômago, em suas mais diversas técnicas), porém ela apresenta ressalvas e só têm resultados plenos quando realizada na hora certa, com pacientes preparados física e emocionalmente. A obesidade é uma doença multifatorial, onde estão em jogo causas orgânicas, psíquicas e sociais. Isso faz com que ela se torne uma patologia complexa, exigindo tratamento multidisciplinar. Segundo o endocrinologista e metabologista Jader Benedito Ferreira, os pacientes só devem ser encaminhados para a cirurgia bariátrica após o insucesso dos tratamentos clínicos.

“Só discutimos a opção do procedimento cirúrgico quando a obesidade começa a gerar outras patologias, como diabetes, hipertensão, problemas articulares e dislipidemias, o que pode ocasionar complicações
cardíacas, renais e limitações ortopédicas”. Mesmo assim é relevante lembrar as contraindicações, pois toda e qualquer cirurgia implica em riscos e consequências. Vale citar que, segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de mortes após o procedimento é de um a cada 500 pacientes operados (0,2%). O risco de óbito chega a 1,5%. “É importante medir a relação risco-benefício. Essa cirurgia é contraindicada, por exemplo, para pacientes com distúrbios psiquiátricos ou cardiopatias graves”, explica o médico. A pessoa só deve ser autorizada a realizar a operação após avaliação com cardiologista, pneumologista, gastroenterologista, endocrinologista, psicólogo, entre outros.

Pós operatório
Clinicamente, o pós-operatório da cirurgia de redução de estômago não é simples nem confortável. Por ser restritiva, os pacientes não conseguem comer grandes quantidades, podendo apresentar náuseas e vômitos. Nos primeiros dias, a dieta é liquida e fracionada. Nessa fase, os recém-operados devem ser acompanhados periodicamente, com exames clínicos e laboratoriais, devido ao risco de desenvolverem um quadro de má absorção de nutrientes, o que pode levar à desnutrição e anemias. “Portanto torna-se necessária a reposição adequada de vitaminas e nutrientes quando algum problema é detectado pelos exames.

Se não seguir as recomendações, o paciente corre o risco de ter complicações, como infecções e neuropatias”. Jader Ferreira chama atenção para uma questão: com o passar do tempo, alguns pacientes aprendem que comendo pequenas quantidades, mais vezes, eles conseguem burlar a cirurgia. Assim, voltam a ganhar peso. “Os pacientes com compulsão alimentar, se não acompanhados com psicólogos no pós-operatório, voltam a engordar”. O médico finaliza lembrando que a cirurgia bariátrica não é um tratamento estético, mas um recurso terapêutico. “A indicação deve ser muito precisa, respeitando critérios como o IMC acima de 40, avaliação e acompanhamento multidisciplinar, para que estejamos seguros do beneficio da cirurgia do ponto de vista médico”, conclui.

Mudança principal deve estar na mente
A questão emocional tem papel decisivo no desencadeamento da obesidade. Da mesma forma, este fator é muito importante na cirurgia bariátrica, tanto no pré quanto no pós-operatório. Segundo a psicanalista Márcia Listgarten, na maioria dos casos de obesidade o que está em jogo não é a fome em seu sentido fisiológico. “O alimento assume o caráter de objeto compensatório e toma a dimensão de uma compulsão alimentar. O paciente come sem o objetivo de saciar a fome, mas sim para atender seus anseios emocionais”. Esse é mais um dos motivos pelos quais a indicação da cirurgia bariátrica deve ser muito precisa, pois, no contrário, pode gerar complicações sérias e preocupantes. Para a psicanalista, as consequências de enviar um paciente despreparado emocionalmente para esta cirurgia podem ser desastrosas, com aparecimento de alcoolismo, tabagismo, compulsão sexual, compulsão por compras, depressão, entre outros, além, é claro, da perpetuação do sentimento de fracasso nos casos em que o paciente volta a ganhar peso. “A possibilidade de o operado deslocar sua compulsão alimentar para uma outra forma de lidar com seus conflitos existe.

Embora não tenhamos uma estatística detalhada, observamos que este é um risco real que não se restringe a um número isolado de casos”, explica.Ela finaliza descrevendo de forma genérica como se caracteriza um paciente emocionalmente pronto para enfrentar essa cirurgia. “É fundamental que ele se desfaça da ideia equivocada de que o cirurgião vai libertá-lo do mal que o oprime. Esta é uma responsabilidade da qual o sujeito obeso não pode escapar. Cabe a ele estar completamente envolvido com as consequências impostas pela decisão de emagrecer através da cirurgia. Para aqueles que entregam o problema para o médico, atribuindo-lhe a responsabilidade pelo emagrecimento, as possibilidades de sucesso no pós-cirúrgico diminuem consideravelmente”.

6 comentários:

Lilith disse...

oi, eu espero que vc consiga emagrecer estes kilinhos que engordou, afinal, vc é um exemplo para muitas pessoas que pretendem operar procurando uma qualidade de vida!!!
Estou torcendo muito por vc!
beijos
Lilith

Ari disse...

Não tive problemas com a falta da comida, pois fui substituindo-a, aos poucos, pelo álcool que hoje já tornou-se meu vício substituto ao vício de comer.
Perdi 50kg com a cirurgia, mas já devo ter engordado uns 25kg. Sinto-me totalmente impotente perante a situação em que me encontro, pois além de tudo fico envergonhada e não procuro ajuda. Quando não estou trabalhando, estou em casa, nas cama, vendo tv e bebendo. Preciso me livrar do álcool e da gordura que recuperei, pois tenho um filha para cuidar e já não estou mais fazendo isso como deveria. Embora eu tente manter minha filha fora dessa porcaria toda, não estou tendo sucesso, já que ela me vê beber sempre que está comigo. Gostaria de ter forças para sair disso, pois sinto-me culpada por minha filha.
Estou contando isso para que todos aqueles que fazem a cirurgia não cometam o mesmo erro que eu e troquem um vício pelo outro.

Cleonice Simplicio disse...

eu fiz a redução de estomago emagreci 72k mais me tornei uma alcoolatra e dependente quimica estou lutando contra estes problemas porque tenho filhas e as amo fiz a bariatrica para viver mais agora estou me matando que contraditorio não; nestes momento toda ajuda e bem vinda para superar tantos problemas que antes estava no meu corpo e agora está na minha cabeça

Bárbara Quaranta disse...

Antes estava na sua cabeça e refletia no seu corpo Pq vc comia para tentar se livrar do que estava em sua mente. Agora vc usa o álcool para tal fim. O que vc precisa é de ajuda psicológica. Falo como uma alcoólatra que bebeu a vida inteira (durante 30 anos), parou e que agora foca na terapia para parar de comer compulsivamente.

Bárbara Quaranta disse...

Te respondi abaixo...

Vanderleia Barbosa disse...

Te aconselho a procurar grupos como o aa ou até mesmo a internação .deixei o grande amor da minha vida por causa do álcool . Ele se internou se recuperou e hj esta casado . graças a Deus